Educação
Queridas/os educadoras e educadores,
Paz em Nosso Senhor Jesus Cristo!
Gostaria de partilhar com cada um de vocês a importância de todos sermos educadores/as no Instituto, com diferentes funções e responsabilidades. Alguns de nós somos chamados à direção e à coordenação; outros a temperar a vida na cozinha, gerando saúde, sabor e prazer através da alimentação; outros a partilhar o conhecer e o saber, a partir do conhecimento técnico e acadêmico; outros, ainda, a tornarem nossos ambientes saudáveis, seguros e aconchegantes, no serviço de limpeza e manutenção.
O que nos torna educadoras/es, antes de tudo, são nossas palavras e gestos e não tanto os títulos que temos. Olhemos nossas famílias, nossos pais educam mais pela intuição, gestos de amor, responsabilidade e exemplo de vida. É claro que o conhecimento e a técnica são importantes. Afinal, tempero demais ou de menos estraga o sabor dos alimentos.
Podemos dizer que nossos educandos e assistidos são, igualmente, nossos educadores/as. Nossa vida adquire um sentido maior no relacionamento com eles e com cada um em particular, pois damos e recebemos afetos. Aprendemos com eles quando trocamos experiências e conhecimentos. Ser educador é tão importante que nosso grande pedagogo e guia Paulo Freire assim se definia. E seguindo o seu ensinamento podemos dizer: ninguém educa a si próprio, nós nos educamos quando estamos em comunhão.
Mas, nos deixemos educar pelo exemplo do mestre, Jesus de Nazaré. A Sagrada Escritura nos diz que ele, na sua infância, sob o cuidado de José e Maria, “crescia e ficava forte, cheio de sabedoria. E a graça de Deus estava com ele”. Depois o vemos, na sua missão de anúncio do Evangelho, como um verdadeiro educador: acolhendo e abençoando as crianças, valorizando-as e dizendo que o Reino dos Céus era delas e que devíamos nos tornar como crianças.
Dar vida a tantas crianças, acolhendo-as e valorizando-as, é a nossa missão no Instituto Rogacionista. Precisamos ajudá-las a desenvolver as suas potencialidades através da criatividade. Isto acontecerá mais pelos nossos gestos de afeto e segurança do que longos discursos.
Adolescente, encontramos Jesus no templo, sentado no meio dos doutores, escutando e fazendo perguntas. Os que o ouviam ficavam maravilhados com a inteligência de suas respostas. Seus pais, José e Maria, estavam procurando porque o tinham perdido. Quando perguntado, por sua mãe, porque tinha se afastado deles, Jesus respondeu que sua missão era fazer a vontade do Pai. E seus pais silenciaram, pois não compreenderam o que ele queria dizer. Mas, o mesmo texto bíblico nos diz que Jesus, após este episódio, retornou com seus pais e lhes era obediente. Como os pais de Jesus, nem sempre somos donos de toda a verdade e de todo o conhecimento. Podemos aprender muito com os adolescentes que estão conosco. Nesta fase da vida, dar autonomia é importante; mas, também, é preciso estabelecer as regras e os limites.
Jesus jovem sente quando é o momento de partir: deixar a segurança de sua casa e de sua família. Parte para anunciar o Reino de Deus. E assim ele se torna adulto. Na sua missão acolhe, cuida, ensina, ressuscita os mortos, tornando as pessoas donas dos próprios destinos e responsáveis. Seu amor é tão grande que dá a sua vida em benefício de muitos. Na sua entrega e morte na cruz, dando, aos que crêem, o maior de todos os ensinamentos: a vida vence a morte.
No nosso Instituto recebemos jovens, alguns mortos, perderam o sentido da vida. Ajudar estes jovens a recuperarem a própria auto-estima, a vencerem as dificuldades e fragilidades é educar. É preciso despertar em todos o sonho e a ação de que eles são importantes, que Deus os ama. Eles são sujeitos sociais, com deveres e direitos, na construção da cidadania para si e para os outros.
Acolhemos adultos. Aos que necessitam, é importante termos atitudes que possam ajudá-los a se desamarrarem de laços que criam dependências e não os tornam plenamente maduros, ou simplesmente acompanhar os outros que, por algum motivo, “não tem mais uma pedra onde reclinar suas cabeças”. Amar, cuidar e dar possibilidade de lazer e diversão, são as atitudes educativas no Instituto nesta fase da vida. Mas, devemos perceber que estes na sua maturidade e sabedoria, e muitos até experimentados no sofrimento e na dor, têm muito a nos ensinar.
Queridos/as educadoras/es, educar, seguindo o exemplo de Jesus, é dar vida para todos e vida em abundância. No Instituto, independente das nossas crenças, Jesus é o modelo; nós possuímos nossas dificuldades e fragilidades. Não precisamos ser perfeitos, mas devemos evitar o erro, principalmente aqueles motivados pela falta de compromisso. Poderemos dizer que esta missão é muito grande, está além de nossas capacidades. Isto não é real, pois Jesus sempre agiu humanamente, demonstrando que nossas ações conosco e com os outros podem ser mais humanizantes. E para os cristãos é fundamental confiar na ação do Espírito que age, superando as limitações; e dizer com confiança cada dia: “Basta a tua graça, Senhor”.
Sob a intercessão de Santo Aníbal, Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo abençoe a todos.
Pe. Lédio Milanez, rcj
Educador.
São Paulo, 16 de julho de 2007.
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